Procurar para criar: entrevista a Eduardo Paniagua

Eduardo Paniagua (Madrid, 1952), um dos principais especialistas de música medieval em Espanha, concedeu-nos uma pequena entrevista onde nos mostra a importância das bibliotecas na sua carreira musical.

O que é para si uma biblioteca?

Um sitio maravilhoso para ir à procura de informação e onde se encontram coisas que não se procuravam ou que não se sabia que existiam.

Quando começa um novo projecto, em que parte do processo de criação utiliza as bibliotecas e qual a sua importância?

A informação e publicações que se descobrem nas bibliotecas são a origem de novos projetos e gravações musicais.

A conservação e restauro é uma área importante no seu campo de trabalho? Porquê?

Salvar ou devolver à luz partituras, pergaminhos e músicas que estavam adormecidas, a sua difusão e divulgação são temas essenciais no meu trabalho. Assim surgem novas referências, que criam um estilo, pois não existem registos musicais da antiguidade. O meu trabalho proporciona os dados, mas também carrega uma sonoridade, um timbre, uma emoção, etc… assim é também uma nova criação, imaginando e estudando como poderia soar e acontecer outrora.

As bibliotecas nacionais vão digitalizando uma grande parte das suas colecções, disponibilizando-as em acesso gratuito na internet. Qual é a sua opinião em relação às bibliotecas virtuais? E com que frequência as utiliza?

São uma ferramenta fantástica, mas temos que ter o suporte informático adequado e a paciência suficiente para explorar todo esse mundo virtual. Sem a ajuda de fóruns especializados, podemos andar às voltas e levar-nos ao engano, sem rigor académico ou criativo.

Eduardo Paniagua começou a sua carreira musical aos 16 anos, integrando vários grupos de música antiga, dentro dos quais Atrium Musicae, Calamus e Hoquetus. Paralelamente, fundou e dirigiu a editora discográfica PNEUMA, na qual edita as suas produções musicais (80 Cds em 2005). Para saber mais sobre a sua carreira, pode visitar os seguintes links:

https://www.facebook.com/eduardo.paniaguagarciacalderon

http://www.musicaantigua.com/discografia-de-eduardo-paniagua-un-valor-incalculable/

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Entrevista por: Daniel Gonçalves (Bibliotecário) e David Gonçalves (Bibliotecário)
Entrevista traduzida do espanhol por: João Guerreiro (Bibliotecário)

Biblioteca sobre rodas

Nuno Marçal (1974) identifica-se como um bibliotecário-ambulante “que percorre com a Bibliomóvel as estradas, terras e gentes de Proença-a-Nova, levando o Livro, a Leitura, a Informação, o Conhecimento e sempre algo mais…“. Aceitou o desafio de nos mostrar um dia do seu trabalho numa biblioteca em movimento.

Alvorada

A história das Bibliotecas itinerantes em Portugal é rica, diversificada, carregada de imagens icónicas e papéis preponderantes na educação, cultura e sempre algo mais…entre aqueles que tiveram e têm o privilégio de usar e desfrutar dos seus serviços.

A Bibliomóvel de Proença-a-Nova é apenas e só um de muitos capítulos dessa história. As primeiras linhas começaram a ser escritas no dia 26 de Junho de 2006. Uma parceria entre o Município de Proença-a-Nova e Santa Casa de Misericórdia de Sobreira Formosa, através de uma candidatura ao programa Progride, que financiou a aquisição e transformação desta Biblioteca Pública sobre rodas. Continue reading “Biblioteca sobre rodas”

Pergunta do mês: Qual é a relevância do bibliotecário na era Google?

Julgo que hoje a relevância do bibliotecário é ainda maior uma vez que lhe cabe organizar, mediar, disseminar, recuperar, conservar e gerir toda a informação a partir de uma maior diversidade de suportes e para uma maior diversidade de públicos, facilitando assim o acesso ao conhecimento e à cultura.

Maria Natália Dias, Porto. Continue reading “Pergunta do mês: Qual é a relevância do bibliotecário na era Google?”

Por supuesto: entrevista a Rui Zink

Rui Zink (Lisboa, 1961), escritor e professor no Departamento de Estudos Portugueses na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa, exprime nesta pequena entrevista o seu ponto de vista sobre as bibliotecas.

Na sua opinião, o que não deveria ser uma biblioteca?

R. Z.: Há bibliotecas que me dão pena e geralmente ficam em países pobres ou longe dos centros de poder. Aquelas que só têm restos, livros que ninguém quer, muitas vezes livros que à partida não eram interessantes mas que foram despejados para essa biblioteca porque tinham esse nome mágico, «livros», embora façam o oposto do que se espera de um livro: ofuscam em vez de iluminar, aborrecem em vez de entusiasmar. Já vi envios de livros sem critério – enviados como medicamentos fora de prazo. Continue reading “Por supuesto: entrevista a Rui Zink”